segunda-feira, 29 de julho de 2013

Nem tudo é só pau,
nem tudo é só pedra.
Às vezes, a vida é um meio termo.

É tudo assim,
tipo um pão de queijo.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Nunca serei Zimmerman,
ou Veloso;
vou ser Assunção
minha vida toda.

E isso me assusta,
e isso me desespera.

Assunção é muito incerto,
há um mundo de sobrenomes
e poucos são Assunção;

Assunção é muito incerto,
ainda há um mundo a ser criado
por mim, Assunção;

o mundo é grande
pra um Assunção
e isso me assusta,
e isso me desespera
             .
             .
             .
e isso me enche de emoção

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Lágrima Prismática

roçam a pele sem pudor
novas cores furta cor
e esse alheamento
essas noites desmedidas
de grande cidade,
cujas luzes arrebentam
minhas tristes retinas.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

estou sozinho em uma cidade de 2 milhões de pessoas.
meu apartamento se torna imenso
e claustrofóbico.
a cozinha é longe
e a comida,
congelada.
meus amigos são pequenos
thumbnails sorridentes.
minha garota ri
por trás da tela,
por trás do celular.

estou sozinho em uma cidade de 2 milhões de pessoas
e 2 milhões de pessoas querem ser
Eike Batista.
e 2 milhões de pessoas têm bocas
e 2 milhões de bocas comem,
mas 2 milhões de bocas
não beijam,
não sorriem.

estou sozinho em uma cidade de 2 milhões de pessoas.
e no meio desse mar de gente,
no vazio do meu apartamento grande e claustrofóbico,
eu sorrio
e gosto um pouco
de tudo isso.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Você diz tanto com
esses seus olhos de italiana
e eu, americo-lusitano,
não entendo.

Que língua falam os seus olhos,
suas coxas brancas,
suas pintas
que formam ideogramas
nesse quase mandarim
que é o seu corpo?

Esse quase mandarim
que é seu jeito
de mulher.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Meu luto

vai para os sonhos,
insonhados;
para os natimortos,
filhos inascidos;
para os mistérios do Oceano Pacífico,
que, inabitado, segue com mistérios indescobertos;
para o beijo de saliva seca,
pensado, mas indado;
e mesmo para os anti-beijos,
inpensados e indados, mas
que, no fundo, sem a gente nem se dar conta,
são desejados;
E dos desejos indesejados, não me permita esquecer
esse sufocamento da verdade.

É do inacontecimento meu luto,
que o morto, apesar de tudo,
é vivo.